Minha pequena Amanda, com apenas 14 anos, decidiu fugir de casa após uma discussão boba com suas amigas sobre seu interesse na Umbanda. Ela sempre demonstrou muita curiosidade por essa religião e até queria conhecer um terreiro, algo que prometemos fazer nas próximas férias escolares. Mas, infelizmente, a impaciência da juventude falou mais alto.
No fatídico dia 1º de abril, Amanda saiu de casa levando apenas uma mochila escolar preta e R$ 200 no bolso. Registrei um boletim de ocorrência imediatamente e iniciei uma busca incansável, seguindo pistas e analisando imagens de câmeras de segurança. Durante os primeiros três dias, consegui acompanhar seus passos, mas depois ela simplesmente sumiu do mapa.
Até que, no dia 4 de junho, recebi uma ligação que mudou tudo. Uma assistente social havia reconhecido Amanda tomando café da manhã em um centro de apoio à população de rua em Taubaté, no interior de São Paulo. Corri para lá imediatamente, com o coração aos pulos, sem saber o que esperar.
Quando finalmente a vi, depois de tanto tempo, foi uma mistura de alívio e emoção indescritível. Ela estava um pouco confusa e desorientada, mas aparentemente bem fisicamente. Nos abraçamos forte, choramos juntos, e ela começou a contar com riqueza de detalhes tudo o que havia passado durante esses 64 dias longe de casa.
Agora, dez dias após o reencontro, Amanda está se recuperando bem e reagindo de forma positiva. Ela conta sua experiência com tantos detalhes que despertou em mim o interesse de transformar tudo em um livro, para que essa história tão angustiante e ao mesmo tempo inspiradora possa ser compartilhada com o mundo. Agradeço a Deus por ter minha filha de volta, são e salva, e pretendo aproveitar cada momento ao lado dela daqui para frente.